Que grande amigo ele era! Nunca junto mas sempre presente.

Jamais poderemos esquecer dele, sem duvida alguma as mulheres principalmente.

Não, não quero dizer que o meu amigo era alguém importante, sequer era famoso. Nada disso. Era uma pessoa como outra qualquer do sexo masculino e que basicamente sentia-se bem em qualquer lugar.

Há algum tempo ele podia vangloriar-se de ser o senhor absoluto da verdade e também da mentira.

O homem patriarcal, senhor da vida da esposa e dos filhos. Aquele protetor supremo da honra familiar, o grande guardião das portas da sabedoria. Está em extinção, bem sei, restam alguns espécimes agonizantes ou em mutação, mais sem duvida, o original puro sangue não existe mais.

A família está em mutação. O novo homem clama seu lugar na sociedade que sempre foi dele, mas novamente notamos que em cada mudança, há medo e certa resistência.

As mulheres, principalmente, opõem mais resistência a um tipo novo, estranhamente o ser que elas próprias queriam.

Estavam acostumadas a tratarem com um Senhor Feudal e sentem medo de um Senhor Liberal que por vezes não é tão liberal ainda. Aí reside o problema.

Se a igualdade era requerida, ela foi conseguida. Em parte. Afinal, escravidão é bom e sempre foi a tônica do desenvolvimento. Mulheres trabalhando de igual para igual e ganhando menos. Os homens aderem a essa mudança muito mais rápido que as mulheres. Para eles é melhor e mais fácil a nova posição. Só que as mulheres não aceitam serem tratadas de igual para igual apenas quanto as obrigações. Vêem no homem ainda um Senhor, apenas que liberal, que lhes impôs suas obrigações sem lhes dar nenhum direito ou proveito. Não exagerando, perante a lei todos são iguais, pelo menos no nosso mundo.

Elas sentem falta da tranqüilidade de um lar e dos filhos tão desejados e amados. Sentem saudades do amante fogoso e do marido atencioso, estranhamente isso não veio tudo junto, nunca veio. Com a divisão das obrigações os homens tinham a obrigação de terem se transformado no príncipe que nunca foi encantado.

Tinha tempo, antes, de dedicar-se ao marido. Hoje em dia, não sabe por que, mal se cumprimentam. Aliás, ela está se transformando naquilo que ela queria acabar. Só que agora, é só ela. O grande provedor se foi e ela tem que tomar o seu lugar.

Há um duelo no ar. Uma decisão paira sobre as cabeças, mas ele está aí, continua dizendo: “Mulheres, cheguei!” Espera os aplausos e a admiração que não vem. Abismado e sem saber como agir continua a espera de boas vindas. Terá chegado tarde ou as mulheres estão atrasadas?